DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas de pacientes

Respondidas diretamente pelo Dr. Marcelo Kemel Zago. Navegue pela lista, organizada por tema.

Escoliose

É possível já nascer com escoliose? O colete funciona?

As escolioses podem ser congênitas (presentes ao nascimento) ou idiopáticas (diagnosticadas na infância). A congênita costuma ser mais grave e quase sempre precisa de cirurgia. A idiopática pode ser tratada com observação, colete ou cirurgia, dependendo do caso — o colete só tem função até o fim do crescimento.

A escoliose pode ser familiar, mas um dos pais ter a doença não garante que será transmitida. A chance é maior do que em uma família sem escoliose. O ideal é iniciar o acompanhamento com o ortopedista pediátrico já na primeira infância para identificar sinais precocemente.

Aos 17 anos já não há crescimento significativo, e a escoliose piora principalmente durante o crescimento. Nessa idade a doença tende a ficar estável — geralmente reforço muscular e alongamentos são suficientes, sem necessidade de cirurgia.

Quadril

Meu bebê de 9 meses foi diagnosticado com luxação do quadril. Qual o tratamento?

Nessa idade, o procedimento mais comum é a redução sob anestesia, sem corte, seguida de gesso. O tratamento cirúrgico costuma ser reservado para casos de mais difícil tratamento em pacientes mais velhos — mas cada caso precisa de avaliação do ortopedista pediátrico.

O uso de fralda dupla não é mais indicado atualmente. Quadris imaturos nessa idade geralmente não requerem tratamento, mas devem ser acompanhados de perto, com novos exames periódicos.

Em bebês com menos de 3 meses, as classificações 1b e 2a são benignas — indicam apenas imaturidade dos quadris. É necessário acompanhamento com novas ecografias ou raio-x a partir dos 4 meses, junto com o exame clínico.

Após os 3 meses, o acompanhamento pode ser feito por raio-x simples em vez de ecografia. Os ângulos mencionados não indicam tratamento imediato, mas exigem acompanhamento com novos exames periódicos.

Até os 3 meses de idade, geralmente nenhum tratamento é necessário. Acima disso, o suspensório costuma ser indicado. A avaliação do ortopedista pediátrico é sempre necessária para definir a conduta.

A cirurgia para luxação de quadril em crianças pode ser feita até a adolescência — quanto antes, melhores os resultados. Crianças até 6 meses geralmente não precisam de cirurgia, mas acima dos 2 anos ela costuma ser indicada.

Nessa idade, com luxação congênita bilateral, normalmente não se realiza cirurgia, pois ela causaria limitação de mobilidade. Quando indicada, as opções incluem osteotomias pélvicas ou prótese, em idade mais avançada. Cada caso precisa de avaliação individual.

Doença de Legg-Perthes-Calvé

Minha filha de 5 anos tem Perthes em fase inicial, sem dor, só um pouco de manqueira. Ela pode andar normalmente?

Enquanto houver limitação da mobilidade do quadril, o ideal é o repouso, podendo ser necessário gesso ou órtese de abdução dos quadris.

Geralmente indicamos pelo menos duas vezes por semana, sem limite superior — quanto mais, melhor o resultado. A natação funciona como fisioterapia lúdica, sempre com acompanhamento do ortopedista pediátrico.

O caso precisa ser reavaliado. É comum indicar uma imobilização temporária para reduzir os sintomas de dor nos estágios mais agudos da doença.

 

O uso de órtese de abdução na doença de Perthes é bem indicado, mas depende do grau da doença e da deformidade. O surgimento aos 2 anos é raro, mas pode ocorrer — a conduta exata depende do conhecimento completo do caso.

Pé Torto

Qual o grau de gravidade do pé torto congênito: leve, moderado ou grave?

Existem os três graus — leve, moderado e grave. A classificação depende da avaliação médica específica de cada caso.

A causa mais provável do pé torto congênito é genética — por isso há sim chance de recorrência em outro filho.

Cirurgia tardia só é indicada quando há dor e restrição funcional importante. Se o paciente não consegue apoiar o pé completamente, há uma restrição significativa — provavelmente será necessário um novo procedimento.

Fraturas

Meu filho de 7 anos machucou o dedo, ficou roxo e inchado com tala. É normal o roxo aumentar no dia seguinte?

Às vezes a tala aperta um pouco a região com inchaço, o que pode fazer o roxo aumentar em outras partes próximas.

Depende da gravidade da fratura. Se foi pequena, com 40 dias já está praticamente curada. Fraturas maiores podem exigir imobilização e repouso por até cerca de 60 dias

Provavelmente com 6 semanas já será possível retirar o gesso, dependendo da confirmação por raio-x da formação adequada do calo ósseo.

Pacientes jovens têm grande capacidade de “remodelação” — os ossos tendem a crescer de forma reta mesmo após uma fratura com pequeno desvio, ao longo do tempo.

É preciso aguardar o resultado final de uma possível lesão de nervo — em muitos casos isso leva até um ano para ser definido. Continuar a fisioterapia é a conduta adequada nesse período, com acompanhamento do especialista em ortopedia pediátrica.

Marcha Equina

Meu filho de 11 anos anda na ponta dos pés e tem 90° de encurtamento em um pé. Vai precisar de cirurgia após a fisioterapia?

Casos de marcha na ponta dos pés resistentes à fisioterapia costumam ser cirúrgicos, a depender da avaliação do ortopedista pediátrico. A cirurgia consiste no alongamento do tendão calcâneo, com boa recuperação na maioria dos casos.

Em casos resistentes à fisioterapia em adolescentes, a cirurgia de alongamento do tendão de Aquiles costuma ser indicada, com boa recuperação na maioria dos casos — a decisão cabe ao ortopedista pediátrico.

O tratamento começa pela fisioterapia para alongamento. Se o resultado não for bom após muitas sessões, a cirurgia pode ser indicada, sempre após avaliação do ortopedista pediátrico.

O botox tem indicações específicas, como espasticidade muscular. Andar na ponta dos pés é comum até os 5 anos sem indicar doença — nesse caso, fisioterapia costuma ser a conduta, e não o botox. Uma avaliação com ortopedista pediátrico é recomendada.

Em contratura importante do tendão, não resolvida com fisioterapia, o alongamento costuma ser indicado a partir dos 6 anos de idade — mas cada caso deve ser avaliado individualmente.

Quando todo o tratamento indicado (incluindo órtese e fisioterapia pós-operatória, se necessário) é seguido corretamente, as chances de sequela na fase adulta são mínimas.

Nesses casos, é provável que seja necessária uma cirurgia maior para um alongamento mais completo — mas a indicação final depende da avaliação do ortopedista pediátrico.

Paralisia Cerebral

Meu filho com paralisia cerebral tetraespástica fez reconstrução dos quadris. Agora os médicos querem retirar as placas — é necessário?

Sim. Com o crescimento da criança, as placas podem ficar salientes, causar dor, migrar em direção ao joelho, ou até expor a pele. Por isso a retirada costuma ser recomendada.

Ortopedia Neurológica

Meu filho teve síndrome de Guillain-Barré aos 9 anos e hoje, aos 13, está com os pés caídos. O que fazer?

É preciso avaliar se a sequela é por lesão de nervo ou apenas contratura músculo-tendínea. A fisioterapia é indicada nos dois casos, e a cirurgia pode ser necessária dependendo da avaliação do ortopedista pediátrico.

Osteocondroma

Meu filho tem osteocondroma no dedão do pé. Como é feita a cirurgia?

Para lesões pequenas em locais de fácil acesso, o procedimento costuma ser simples — uma incisão pequena e retirada da lesão óssea. A recuperação é rápida, com retorno às atividades normais em pouco mais de um mês.

Os osteocondromas costumam aparecer e se desenvolver até a adolescência. Lesões já retiradas podem retornar, e novas podem surgir — por isso é importante o acompanhamento contínuo com o ortopedista pediátrico ou especialista em tumores ósseos.

Os osteocondromas tendem a crescer enquanto há crescimento ósseo, ou seja, podem aumentar até a criança parar de crescer. A retirada cirúrgica é indicada para lesões maiores, por dor, estética ou risco de malignização.

Como a doença é hereditária, há grande chance de ser transmitida ao filho. Não há cuidados específicos durante a gravidez que evitem isso — caso surjam lesões na infância, a avaliação deve ser feita por ortopedista pediátrico ou especialista em tumores ósseos.

Outros

Minha filha de 8 meses nasceu com a tíbia curva. O ortopedista disse que era benigno. É normal se preocupar?

A curvatura mais comum nessa idade é a que causa “pernas cambotas” (genuvaro), que pode ser normal ou causada por doença. Aos 8 meses ainda é muito cedo para definir — a observação segue até cerca de 1,5 ano, quando fica mais claro se há necessidade de tratamento.

É possível que o osso aumente enquanto a criança ainda está crescendo. Uma consulta com exame físico (e possivelmente exames de imagem) é necessária para determinar se há necessidade de acompanhamento ou intervenção.